Líderes religiosos: instituições educacionais, lugares de construção da fraternidade

7 de outubro de 2021

Em suas saudações aos professores e educadores, no final do encontro no Vaticano sobre educação e por ocasião do Dia Mundial a eles dedicado pela UNESCO em 1994, os representantes de vários credos pedem aos líderes governamentais que reconheçam a prioridade da formação dos jovens.

O evento “Religiões e Educação: Pacto Educativo Global”, realizado na terça-feira (05/10), no Vaticano, se insere no âmbito do Pacto Educativo com o qual o Papa Francisco propõe uma ampla aliança que saiba responder às dramáticas consequências da pandemia através da convergência educacional global. O objetivo é implementar todas as medidas necessárias para colocar a educação e a pessoa no centro da agenda internacional. Os numerosos representantes de várias religiões presentes, segundo o comunicado emitido pela Congregação para a Educação Católica, promotora do encontro, “mantiveram um diálogo fraterno sobre os grandes desafios educacionais contemporâneos”, acolhendo as palavras do Papa, que em seu discurso reiterou a relação privilegiada entre as tradições religiosas, o cuidado pedagógico e sua capacidade de ser um estímulo para uma educação capaz de orientar o mundo para a fraternidade universal. Um compromisso sublinhado pelos líderes religiosos num apelo simbolicamente entregue à professora Stefania Giannini, vice-diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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O apelo dos representantes das religiões

No texto, dirigido aos professores e educadores, os representantes religiosos, que se reuniram na terça-feira (05/10), no Vaticano, pela primeira vez sobre questões educacionais, reiteram a importância de “promover no âmbito global um ‘pacto pela educação’ que leve em conta as expectativas e desafios de nosso tempo”. Os líderes foram impelidos pela convicção de que “as religiões podem ser fontes e promotoras de valores fundamentais para a humanidade” e pela comum “crescente preocupação com a crise educacional de hoje”. Eles expressam sua gratidão aos professores e educadores e os encorajam a continuar seu caminho “apesar das dificuldades e desafios de nosso tempo, agravados pela emergência pandêmica”. Os representantes religiosos esperam que as pessoas envolvidas na educação dos jovens possam ser mais valorizadas e consideradas pelos governos, incluindo o reconhecimento da remuneração justa. Convidam professores e educadores a se colocarem “a serviço das novas gerações, caminhando com os pés no chão, mas com os olhos voltados para o céu”.

Indicações concretas para uma nova educação

A mensagem continua, indicando os fundamentos de uma educação “completa e inclusiva” que envolve a todos: colocar a pessoa no centro contra a cultura do descarte; ouvir e respeitar os estudantes e valorizar a dignidade da mulher. Os líderes religiosos sugerem a necessidade de uma educação que não seja apenas uma transmissão de informações, mas também um estímulo à curiosidade, vida espiritual e um “senso de conexões éticas” entre as pessoas e com toda a vida no planeta. Também é essencial tornar a família responsável e colaborar com outras agências a fim de proporcionar uma educação acolhedora, especialmente para os mais vulneráveis. Por fim, é necessário “buscar novas formas de entender a economia e a política”, para que estejam a serviço do ser humano e de toda a humanidade, respeitando ao mesmo tempo o ambiente. A mensagem termina com uma exortação a não perder a fé e a continuar alegremente em sua missão. Os líderes religiosos escrevem que as instituições educacionais, como lugares de crescimento e diálogo, “são um ‘canteiro de obras’ aberto para a construção de um humanismo de fraternidade”.

Um processo que continuará em nível local e global

A Congregação para a Educação Católica anunciou que as contribuições e reflexões dos que participaram do encontro de terça-feira, serão inseridas numa publicação a fim de promover mais pesquisas nas cinco áreas do Pacto Educacional: dignidade e direitos humanos; fraternidade e cooperação; tecnologias e ecologia integral; paz e cidadania; culturas e religiões. Estes estudos aprofundados tomarão forma concreta nas diversas iniciativas que serão promovidas para realizar, no âmbito local e global, os compromissos do Pacto em colaboração com uma ampla rede de universidades, dando continuidade aos muitos projetos que já foram iniciados localmente um pouco por toda parte e que estão encontrando relevância significativa em vários níveis institucionais. Este encontro mundial de representantes de religiões”, conclui a declaração da Congregação, “assume um significado histórico”. É mais um passo num longo caminho de diálogo e participação em direção à unidade. Estamos todos convidados a colocar-nos a serviço do bem comum, promovendo uma educação aberta e inclusiva”.

Adriana Masotti – Vatican News
Imagem capa: Pixabay

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